Published on outubro 22nd, 2014 | by Fernanda Correia

Um Drink no Inferno — A Série

Desta vez a Satanico Pandemonio demorou para me cativar.

Um Drink no Inferno foi um dos primeiros filmes de terror que eu lembro de assistir. Escondida, quando passava no SBT sábado à noite porque eu não podia ver ou “ia ter pesadelo na hora de dormir”. Pensando bem, acho que era mais porque o filme é quase um soft porn (Salma Hayek dançando seminua com uma cobra), mas quando você nem sabe ler dá no mesmo.

Isso deve deixar clara a minha empolgação quando anunciaram a série, que seria produzida por Robert Rodriguez. Renovada para a segunda temporada antes mesmo de estrear, ela tem a primeira disponível no Netflix como série original, apesar de ter sido produzida para o canal do Rodriguez voltado para o público latino, o El Rey. Por isso também não foi disponibilizada de uma única vez, mas um episódio a cada 15 dias.

Agora, se você nunca viu o filme e quer ver série, uma dica: desencana da série e assiste o filme. Sério. E apenas o primeiro, porque ele tem duas continuações que são tão boas quanto passar detergente no olho. Esquece elas e assiste a série se você realmente quiser ver mais alguma coisa.

irmãos gecko drink inferno

Isso é substituto de Tarantino que se apresente?

Primeira coisa que me desagradou: Richie Gecko. Para você que nunca viu o filme, saiba que esse papel era do Tarantino. Um Tarantino mais novo, é verdade, mas ele nunca foi um galã. E ele é todo esquisito, meio psicopata, acha que as pessoas estão falando dele. E o cara da série é bonitinho, coisa que você não diria de um Tarantino com um buraco na mão coberto por silver taipe.

O sujeito que faz o papel do outro irmão Gecko não tem tanto problema já que ele ficou com o papel que foi do George Clooney. Então obviamente teria que ser um cara charmoso.

A trama segue a mesma do filme até o episódio 8, mais ou menos, quando eles chegam no Titty Twister– bizonhamente traduzido como Maminha Giratória no Netflix. O que é bem chato, diga-se. Não só porque você já sabe o que vai acontecer, mas porque eles preenchem as lacunas deixadas no filme original com o que vai ser a mitologia da série. Você não desapega do filme nem engole a série.

Os vampiros são meio cobras, criados a partir de uma garota que foi possuída por um demônio/deus vingativo em formato de cobra. Ela vem a ser nossa querida Satanico Pandemonio, que é bonita mas deve, e muito, à Salma Hayek em gostosura. Ela teria escolhido o Richie por algum motivo que não fica muito claro e passa o caminho todo atraindo ele para o Titty Twister, que nunca foi o ponto de encontro deles.

satanico drink inferno

Tá precisando de arroz com feijão (ou sangue) pra chegar na Salma Hayek

O Texas Ranger segue a perseguição e também tem algumas visões, fazendo com que ele seja um espécie de contraponto do bem, imune aos vampiros cobra. O plot dele é bem chatinho até que finalmente coloque a mão na massa no bar. O bar, aliás é quando eles finalmente abandonam o filme (o q ue faz sentido já que ele é a meia hora final) e quando a série fica interessante, mas é preciso paciência para chegar até lá.

O pastor que perdeu a fé e está viajando com os filhos também ganha uma história mais interessante. Ele não perde a fé em Deus simplesmente porque a mulher morreu, mas porque ela estava doente e pensava em se matar. Toda a dinâmica dele com os filhos é bem bacana, especialmente com a filha que não é uma Juliette Lewis mas leva bem o papel.

Se não fossem os dois/três últimos episódios da série, eu teria desistido e revisto o filme. Talvez tivesse sido melhor ter ido direto ao ponto e esquecido as cenas clássicas, que perderam um pouco a graça com algumas das explicações. Se você é fã do filme e quer ver a série, abstraia o filme e tente se divertir. Se você já viu a série e gostou, veja o filme. Aproveita que tem também no Netflix.

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Tem mais séries e livros para ver e ler do que tempo hábil. Sonha em encontrar o Doctor só para usar a Tardis e zerar a sua pilha. Encontrou o sentindo da vida quando assinou o Netflix.



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