Posted on: 26 de novembro de 2020 Posted by: Raira Comments: 0

Quem já assistiu “Corra” ou “Nós”, vai entender o quanto é empolgante ter uma nova produção do Jordan Peele disponível. O homem é realmente um gênio do audiovisual, e com certeza um dos melhores diretores da atualidade. Além disso, sempre foi um desejo uma vontade assistir a famosa “The Twilight Zone” (“Além da Imaginação” no Brasil), uma série de ficção científica/terror que muitos dizem ter mudado o jeito de se assistir televisão (uma coisa bem norte-americana de se dizer).

Sendo assim, durante as férias de meio de ano decidi passar essa série na frente de muitas outras e assisti-la, já que estava disponível na Amazon Prime, e agora, antes de iniciar a segunda temporada, vim aqui falar minhas impressões da primeira.

A nova produção é encabeçada pelo Jordan Peele, que além disso faz o papel de narrador das histórias e também faz parte da equipe de roteiristas dos episódios. Com um elenco estelar, e vários nomes bem conhecidos como Kumail Nanjiani, Tracy Morgan, Adam Scott, entre outros, cada episódio constrói uma narrativa que se fecha em si mesma (apesar de aparecerem alguns easter eggs entre eles). Como já era esperado, há mais diversidade racial, em alguns episódios mais do que outros, mas acho que ainda falta mais representatividade de corpos divergentes.

[ALERTA DE SPOILERS] Vou tentar falar o mínimo de detalhes pra não perder a graça, mas se você não gosta de saber nada sobre um episódio antes de assisti-lo, melhor parar por aqui. Aqui vou fazer um episódio por episódio rápido, em ordem cronológica, porque acho que é a melhor forma de falar sobre essa série. Fiz uma escala de notas de 1 a 5 pra facilitar a amostragem.

Ep.1 – The Comedian

É um ótimo primeiro episódio, que realmente dá vontade de assistir ao restante. A história gira em torno de Samir Wassan (Kumail Nanjiani), um comediante de stand-up muito malsucedido que um belo dia dá de cara com seu ídolo e a partir de então resolve mudar seu repertório, conseguindo atingir o tão sonhado sucesso. Mas nem tudo é tão simples assim, e ele descobre que as consequências disso podem afetá-lo e assombrá-lo pro resto da vida. Eu gosto, daria um 4 porque ele realmente prende a atenção, apesar de chegar um momento em que você já começa a imaginar o desfecho.

Ep.2 – Nightmare at 30,000 Feet

Você entra num avião, descobre um MP3 player e começa a ouvir o que tem gravado nele. Nada mais é do que um podcast sobre crimes não solucionados que discute o desaparecimento desse mesmo avião. O plot desse episódio é perfeito e me lembra meus tempos de Lost, mas o grande defeito dele é que eu descobri o que ia acontecer muito rápido. Não acho que seja só da minha grande capacidade de percepção, mas porque o roteiro entrega fácil demais, talvez pelo fato de ter que resolver tudo em um episódio. Adam Scott está muito bem como o protagonista, Justin. Daria 3.

Ep.3 – Replay

Esse eu aplaudi de pé (mentira, mas merecia). Que episódio fantástico! Uma mãe indo levar o filho pra universidade pela primeira vez, descobre sem querer que a câmera dela tem a capacidade de voltar no tempo, e assim ela tem a chance de prevenir o assassinato do garoto por um policial racista. Com certeza o melhor episódio dessa temporada. Usa o elemento sci-fi pra desvelar as várias faces do racismo estrutural presente na nossa sociedade, ao mesmo tempo em que deixa a gente vidrado colado na cadeira de tensão. É incrível, e merece um 5.

Ep.4 – A Traveler

Eu acho esse episódio um desastre. Começa bem, cria todo um conflito e quando entrega é só decepção atrás de decepção. Muito ruim. Conta a história de uma noite de Natal em uma cidadezinha do Alaska, onde acontece uma festa de comemoração na delegacia local; aparece, literalmente, um homem misterioso que começa a fazer revelações incômodas sobre os participantes da festa, e que logo transforma tudo numa noite nada feliz. Não vou dizer que nada se salva aqui, porque temos uma protagonista de descendência nativo-americana, o que conta alguns pontos. E as atuações, no geral, são boas. Foi o episódio que eu mais questionei o porquê de me submeter a isso e perder cinquenta minutos da minha vida. Nota 1 (daria zero, mas vou me ater ao meu sistema).

Ep.5 – The Wunderkind

Eu não sei, mas tenho a impressão de que esse episódio é uma grande homenagem ao presidente do país. Um garoto resolve concorrer à presidência da república e, graças a um talentoso coordenador de campanha, consegue se eleger. De novo, sofro porque é um plot muito bom. Mas ainda assim, é fraco. O Jacob Tremblay é um dos bons atores-criança de Hollywood na atualidade, e faz a gente acreditar que ele é aquele pequeno ditadorzinho mesmo. De resto, um episódio qualquer coisa que vale um 2.

Ep.6 – Six Degrees of Freedom

Um episódio com final aberto ou fui eu que não entendi? São questões né. Uma equipe de astronautas está pronta pra embarcar em missão pra Marte quando ouve pelo sistema de comunicação que os Estados Unidos foram atingidos por uma bomba nuclear, causando provavelmente a extinção da espécie humana. O grande plot explorado desde Planeta dos Macacos. Eles decidem seguir com os planos e o conflito já se estabelece desde o começo, já que sem uma orientação externa, eles precisam lidar com tudo isso confinados num espaço minúsculo, tomando decisões literalmente sobre vida e morte. Um dos pontos fortes do episódio é, com certeza, a diversidade do elenco e a comandante vivida por DeWanda Wise, que é incrível. Nota 4.

Ep.7 – Not All Men

Pelo título já é possível imaginar o chororô que foi a repercussão. Esse episódio com certeza faz par com o “Replay” no meu ranking, porque ele é apenas genial. Uma chuva de meteoros numa cidadezinha traz consigo efeitos para apenas uma parcela da população: os homens. E, de novo, é genial como eles usam com louvor o campo do simbólico pra representar os efeitos devastadores de algo, nesse caso o machismo, na sociedade. É incrível, dirigido por uma mulher, protagonizado pela maravilhosa Taissa Farmiga (que eu pago um pau mesmo), redondinho, maravilhoso. 5, com certeza.

Ep.8 – Point of Origin

É uma bagunça. E chato. Eu não sei se é o efeito Once Upon a Time, mas eu apenas não consigo mais ver nada protagonizado pela Ginnifer Goodwin sem instantaneamente bocejar; é impossível passar por esse episódio sem cronometrar quanto tempo falta pra terminar, dar aquela olhada nas redes sociais, etc. O pior é que dentro daquele universo de representação, dá pra entender o esforço de falar sobre imigração e fascismo, talvez de novo apontando pra acontecimentos recentes, mas nada chega e quando finalmente acaba, o que fica é apenas alívio. 1 de novo.

Ep.9 The Blue Scorpion

Depois do último episódio não é muito difícil ser melhor, mas esse é realmente um dos bons. Depois que seu pai se suicida, um professor precisa lidar com o luto, a falta de explicação para o ocorrido e com uma herança um tanto inesperada: uma arma de fogo, artigo de colecionador que ele nunca vira na vida e que torna tudo mais difícil. O Chris O’Dowd é um ótimo ator, e esse é um episódio que traz aquela pontada de curiosidade e vontade de assistir. Por isso, nota 3.

Ep.10 – Blurryman

Um episódio metalinguístico. Protagonizado por Zazie Beetz (palmas pra essa mulher), o episódio conta a história de uma roteirista de The Twilight Zone, que precisa lidar com as vontades loucas da equipe de produção (AKA Jordan Peele) e é perseguida/assombrada por uma figura estranha. Gosto bastante da brincadeira que eles fazem, com um episódio dentro de um episódio, mostrando cenários, estúdios, etc. e acho que fecha bem essa temporada. Não é nada muito incrível, mas é gostosinho de assistir, tem todos os elementos suficientes pra gente levar uns sustos e prender a audiência. Nota 4.

De forma geral, considero uma série legal de assistir. Com altos e baixos, acho que consegue ser um entretenimento que traz elementos cotidianos, discute assuntos necessários e traz uma reflexão. Traço paralelos com Black Mirror e Electric Dreams. Me preparando pra segunda temporada, digo que vale a pena, inclusive se quiser pular os episódios ruins (afinal, eu já assisti pra vocês não terem que passar por isso!). Depois volto pra contar como foi.

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