Posted on: 26 de janeiro de 2021 Posted by: Raira Comments: 0

Lá em 2014 o Will fez uma maratona de “The L Word” (e um post completíssimo temporada a temporada que você pode conferir aqui) e desde então sempre tive aquela vontadinha de assistir, mas a lista não tem fim e nessas passou o tempo e acabou que nunca parei pra assistir.

Corta para 2020, apocalipse. E saiu, então, “The L Word: Generation Q” no Prime Video e ele elogiou tanto (também tem post) que eu falei agora é o meu momento. Mas, e tudo tem um mas, eu não achei muito de bom tom assistir a nova sem ter passado pelas antigas e eis que na Globoplay tinha a série completa. Fui avisada que seria uma tortura, e foi.

Eu não sou de deixar coisas pela metade, sejam séries ou livros, normalmente eu vou até o final, e me lembro de ter abandonado mesmo poucas coisas como Once Upon a Time e, seu spin-off, Once Upon a Time in Wonderland, por exemplo. Mas acho que nada me fez querer socar cada um dos personagens como The L Word; eu fui até o fim, mas acho que é uma das piores coisas que eu já vi na vida.

A história de um grupo de lésbicas de Los Angeles, que prometia ser um bálsamo pra quem tava cansado de ver só as mesmas pessoas e histórias representadas na tv é uma grande chuva de clichês. Não há representatividade de corpos, não há representatividade de classe. A mais pobrinha delas incrivelmente consegue morar numa casa gigante dividindo aluguel com mais uma pessoa.

“Ah, mas você está sendo muito dura, era 2004 etc.” Era 2004 e, obviamente, muitas das discussões que temos atualmente ainda não estavam na boca do povo, era o início das redes sociais, etc. Mas é Hollywood, e eles podiam fazer melhor do que isso sim. Não dá pra apenas nivelar por baixo. A gente critica Friends, por exemplo, por ter um elenco todo branco e classe alta, e esse é exatamente o problema de The L Word, mas não o único.

Vamos lá então, passando por cima dessa questão, vamos para a trama. É zero coerência de personagens. Do início ao fim a série peca em não trazer uma pessoa que seja coerente, e a pior de todas é ela mesma, a Jenny, mas isso não se limita só a ela, é um problema bem geral.

Os plots são todos batidíssimos tirados de dramas heterossexuais. Não existe uma pessoa nessa produção que levante e diga “nossa, mas podíamos inovar e ir além dessas historinhas ruins de traição e chororô”, não tem uma. Subutilizam as melhores personagens, como Shane e Alice, em enredos erradíssimos, moralistas e datados. Ninguém tem vida, todo mundo passa o tempo todo falando e pensando em relacionamentos amorosos, continua passando a ideia de que a única coisa que importa nessa vida é ter um par romântico, e tudo o mais gira em torno disso. Nessa série ninguém tem um problema de verdade, até que decidem matar uma das protagonistas de câncer (uma das personagens que salvavam a série) na tentativa de mostra-las como pessoas reais.

Bette e Tina e o grande drama do relacionamento delas é insuportável; duas pessoas chatíssimas sendo chatas o tempo todo. Seis temporadas e elas naquele lenga-lenga infinito, tentam transformar a Tina em bi pra ver se fica interessante e é uma grande merda. Piores personagens sim.

Jenny, o que dizer né? O Will acha que ela ser escritora era tipo pra ser um alter ego das roteiristas, e eu basicamente acho tudo o que ela faz ruim. A existência dela naquela série não se sustenta, e temporada a temporada eles tentam dar uma coisa interessante pra ela fazer que na verdade vira uma grande merda. Até o ponto de ser a epítome do que é uma “amiga” ruim; antes só do que mal acompanhadas, porque a Jenny não é amiga de ninguém. Tanto que no final você torce pra todas elas terem tramado a morte dela juntas e comemorado depois. O nível do ranço que eu tenho de Jenny empata com o que eu sinto por personagens como o Cristopher de Gilmore Girls.

Finalmente cheguei a Generation Q, depois de seis excruciantes temporadas onde eu terminava e ligava pro Will pra reclamar. E sim, essa nova temporada tem seus méritos.

Mais diversidade, protagonistas negros, asiáticos, trans. Sabe o que não tem? Corpos diferentes, claro. Tem uma personagem com deficiência que serve como orelha. E só. Também não tem representação de classe, todo mundo trabalha com coisas incríveis e ganha dinheiro, principalmente as antigas conhecidas Shane, Alice e Bette. Cada dia mais ricas e poderosas, as três vem um pouco mais parecidas com gente normal, apesar dos evidentes tratamentos estéticos e/ou maquiagem pra parecerem mais novas.

Os dramas continuam girando entre vidas amorosas e pegações (que são boas, pelo menos), apesar de ter um leve indício de humanização no plot da Bette concorrendo a prefeita por causa do histórico da irmã adicta. Um fenômeno interessante é que nenhuma das duas que tem um relacionamento duradouro, tem parceiras da mesma idade, sempre mais novas, como dita o bom e velho livro de Hollywood. Apesar de Jenny não voltar, temos Dani que cumpre bem o papel de insuportável. Melhorou, mas nem tanto. O final fica em aberto, já aguardando a próxima temporada que está sendo filmada.

A conclusão é que hoje temos muito mais coisas representativas e acho que as primeiras seis temporadas podem ficar no passado. Recomendo Generation Q, porque apesar das falhas citadas é um entretenimento legal e é curtinha, tudo de bom.

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