Séries

Published on setembro 19th, 2016 | by Fernanda Correia

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Stranger Things

Seria o maior vilão da série, o hype?

Se você esteve numa caverna, usou todo o seu plano de 3G ou simplesmente não acessa internet, deve ser uma das poucas pessoas que não ouviu falar de Stranger Things. Desde que foi liberado na Netflix não se fala de outra coisa, um monte de memes surgiram e a frase clássica “nossa, você TEM que ver” foi repetida à exaustão.

Confesso que esse último item me dá um bode eterno de ver qualquer coisa (ah, a aquariana rebelde) e, bom, tava na minha maratona de Gilmore Girls, não ia me abalar por isso. Maratona terminada, vazio existencial, o que a gente faz? Procura outra coisa pra ver. Como são só oito episódios, maratonei em um final de semana. Quais as conclusões? Vamos lá:

Primeiro de tudo, vale o hype? É legal? É. E muito. O mistério e as explicações são bem legais e você fica querendo saber o que vai acontecer. Mas não é a coisa mais extraordinária do universo. Em matéria de suspense e produção, fico com a primeira temporada de True Detective que fez isso magistralmente.

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Olha, mais um spoiler em forma de meme

O primeiro episódio vai te fisgar de cara. Especialmente se você for uma criança dos anos 80. Se você for um nerd dos anos 80 então, vai achar que entraram na sua cabeça. São MUITAS referências, uma verdadeira enxurrada delas. De uma vez só. Não me leve a mal, eu entendi e curti. Inclusive corrigi Lucas que Mirkwood não é O Senhor dos Anéis, mas O Hobbit, antes do Justin. Mas vamos com calma, não precisa tanto.

Uma das razões fica nítida no segundo episódio, e mais ainda nos seguintes. Perda de fôlego. Parece que eles gastaram tudo que tinham para dizer no primeiro episódio e o resto fica só uma coisa meio “olha que legal nós não temos o que dizer, mas temos as mesmas referências!”. O meio da história é arrastado por demais.

A própria estrutura da trama é referências. As crianças sozinhas tentando desvendar o mistério: Os Goonies. Os adolescentes que não sabem se transam e querem ser os descolados do colégio: filmes do John Hughes. O que é legal, já que a trama se passa nos anos 80 e tudo o mais, vamos manter um clima e uma estética. Só que estamos vendo isso em 2016, não dá pra deixar isso de lado.

No fim das contas o que segura a série é Winona Ryder. Eleven é ótima e eu me apaixonei de cara, mas já já chegamos lá. A mãe desesperada que tem que criar os dois filhos sozinha e de repente perde um deles, é simplesmente maravilhosa. É quase impossível não simpatizar com o sofrimento e lá pelo meio da história você só quer abraçá-la e dizer que vai ficar tudo bem.

Agora, algumas cenas e principalmente a menina misteriosa perdem força porque a internet simplesmente não se contém. Eu evito spoiler a todo custo. Eu tenho memória quase fotográfica, decoro falas na primeira vez que eu assisto. Então eu deduzi MUITO do que ia acontecer porque foi simplesmente impossível não ver alguns memes e merchandising da série por aí.

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VOCÊ. VIU. ESSA. IMAGEM. EM. TODO. CANTO. AD. ETERNUM.

Eleven se inclui nisso. Foi tanta imagem, ilustração, piada que eu sabia exatamente tudo o que ela podia fazer. E convenhamos, o flashback para contar o passado dela não é outra coisa senão desnecessário. Eu incluo isso na listinha de enrolação do meio da trama. Aliás não vi nenhum flashback realmente necessário.

O monstro ficou bem interessante. Eu já tinha visto em algum lugar, mas vendo ficou bem claro que rola uma inspiração no Slinger Man (uma lenda urbana bizarríssima e de travar a bunda), com um mix dos monstros de Blade e The Strain. A lógica e a motivação ficaram boas, deixam bem claro que ele é uma ameaça, mas não o herdeiro vilão da parada toda.

No fim das contas é uma série muito bacana, que deixa bem óbvio que a Netflix ainda não sabe lidar muito bem com a galera que espera e vê aos poucos e a galera (tipo eu) que não vive e vê a temporada toda ao mesmo tempo. Não reinventou a roda, mas fez coisas diferentes e fez uma ficção científica que consegue agradar quem gosta do tema e quem acha um porre.

Só menos empolgação. Esse hype todo acabou ajudando a ver a série com espírito de “vamos ver se é essa coca-cola toda” e, bom, obviamente não deu muito certo. Amigos não estragam a experiência dos amigos, nova regra da turminha.

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About the Author

Tem mais séries e livros para ver e ler do que tempo hábil. Sonha em encontrar o Doctor só para usar a Tardis e zerar a sua pilha. Encontrou o sentindo da vida quando assinou o Netflix.



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