Séries

Published on junho 11th, 2018 | by Raira

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Jerry?

Hoje é dia de sessão nostalgia.

Se você, como eu, era uma criança/pré-adolescente no final dos anos 90 e torcia pro canal 21 funcionar pra quem sabe conseguir assistir um pouquinho de Will&Grace, já se deparou com a série sobre nada com personagens tão comuns e que não fazia nenhum sentido à época.

Desde meus 20/21 anos, quando redescobri a série pelas reprises na TV a cabo, fiz uma das minhas metas de vida assistir todas as nove temporadas (uma pessoa muito ambiciosa, pois), mas como era meio impossível os horários baterem meio que desencanei. Até que finalmente, depois de muitos anos, com o advento da Amazon Prime, descobri que poderia realizar esse grande sonho, pois o serviço disponibilizava a série inteirinha, com legendas perfeitas e uma imagem nada parecida com aquele chiadinho que tinha que ficar posicionando a antena pra melhorar.

Baseada na vida do próprio Jerry, criador e produtor da série, além de comediante, Seinfeld foi a primeira comédia que fugia do padrão vigente até então: famílias (tradicionais ou não) como o mote central das produções, tendo em “Full House” a consagração do gênero. Seinfeld é até hoje uma das melhores sitcoms já produzida na TV norte-americana e também é a grande mola propulsora do surgimento de novos shows do gênero, como “Friends”, “Will&Grace” e “How I Met Your Mother”.

“Uma série sobre nada”, e é isso. Estamos vivendo aqui, tomando café da manhã e odiando nossos trabalhos, falando mal do chefe, contando como foi o último desastroso (ou não) encontro amoroso, sendo péssimos em tudo, e isso é muito engraçado. O mais bem-sucedido do grupo é um comediante que ganha a vida fazendo show de stand-up, o que nem de longe é tão glamouroso quanto parece.

Os quatro protagonistas são pessoas comuns, no sentido menos hollywoodiano possível do cara que pode ser o seu vizinho, a menina que você conhece na faculdade e o careca que fica desempregado e tem que voltar a morar na casa dos pais. Nada demais acontece na vida dessas pessoas, e isso é o fascinante que te faz voltar toda semana pra assistir mais um episódio (ou maratonar alguns de tempos em tempos). Todos eles poderiam ser a gente em algum sentido, e essa é a graça do negócio.

Das melhores coisas que os anos 90 nos trouxeram, temos muitas pontas de gente que vai protagonizar outras séries mais pra frente (olá Courteney Cox e Debra Messing), e de famosos como David Letterman e Marisa Tomei.

O mais complicado quando se fala sobre comédias é sempre o fato de piadas serem um campo fértil pra destilação de preconceitos dos mais variados, e em alguns momentos isso acontece na série. Creio que Seinfeld, no geral, ainda peca nesse sentido, até pela época em que foi exibida; não se compara, por exemplo, nem de longe a HIMYM, que ganha em machismo e gordofobia e preconceitos como um todo.

Seinfeld não é perfeita, como acho que nenhum show o é, mas é gostosinha de assistir, dá pra se identificar e se divertir com as histórias e a Elaine (Julia Louis-Dreyfus) é sem sombra de dúvidas uma das melhores personagens femininas de sitcom da vida, e bem injustiçada (um dia ainda falo sobre isso). O finale, na minha opinião, é desastroso e a série podia ter terminado no episódio 21 maravilhosamente.

Quer descobrir onde tudo isso de “amigos tomando café” começou?

Nova York, Comic Strip, 1989.

 

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About the Author

apaixonada por séries e livros, tem como objetivo de vida ser tão incrível quanto Liz Lemon e Leslie Knope, e acha que até já é um pouquinho. tem sorte de dividir a vida com outros seres tão maravilhosos quanto e ama cada momento com eles.



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