Posted on: 16 de outubro de 2014 Posted by: Will Comments: 0
Diferente de tudo.

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Bernardo Carvalho é um escritor que eu adoro. Não teve um livro um dele que eu li e que não tenha gostado. Com “Reprodução” não foi diferente, mas com “Reprodução” foi diferente.

Me surpreendi bastante com a forma com que a história é contada. A primeira coisa que me chamou atenção é que o protagonista é um dos seres mais difíceis de compreender nestes tempos atuais: ele é um comentarista de portal e leitor de revistas semanais.

Homem, branco, separado da mulher e estudante de chinês, porque a China vai dominar o mundo; nosso “herói” desembesta a falar num surto verborrágico quando é preso e levado para interrogatório numa operação da polícia federal no aeroporto justamente quando ele está na fila do check-in para embarcar para… a China.

A partir daí a história deslancha e toda a trama é narrada na voz desse personagem. Em nenhum momento lemos o que diz o delegado responsável pelo interrogatório. Essa ausência, essa parte do diálogo que a gente tem que imaginar é o mais estimulante da leitura.

O livro se divide em três partes. Na segunda, durante um intervalo do interrogatório a gente “ouve” uma conversa do delegado com outra delegada -novamente um monólogo, só que dessa vez, narrado pela mulher – e vamos conhecendo mais sobre os dois, sobre a operação, sobre outro policial envolvido na ação e o alvo da ação: a professora de chinês que também estava tentando tomar o mesmo voo.

“Reprodução” é um tanto repetitivo, o que não é um demérito nem uma crítica. Ao contrário, mostra como Bernardo Carvalho reproduz bem a linguagem verbal. Tudo no livro é bastante natural e verossímil.

As tramas que compõe o jorro narrativo do estudante de chinês sobre ele e sobre a professora são muitas vezes de tirar o fôlego. O livro te prende, faz pensar sobre a condição humana, a sociedade e o mundo.

Bernardo Carvalho tem toda esse lance com a Ásia em seus romances. Dessa vez ele escolheu a China para falar sobre o Brasil, sobre os costumes, para contar uma história interessantíssima e que, curiosamente, não dura mais que algumas horas.

Terminei “Reprodução” querendo mais.

Hoje “Reprodução” foi eleito vencedor do prêmio Jabuti na categoria Romance. É um livro que todo mundo devia ler.

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