Posted on: 20 de agosto de 2020 Posted by: Raira Comments: 0

Se eu tivesse que responder uma única pergunta sobre o meu gênero predileto na literatura, sem entrar em detalhes e nuances, eu diria que é a não-ficção. E posso dizer que quando se trata de cinema sigo a mesma linha. Sendo assim, sou uma grande entusiasta da grade de documentários e séries documentais dos serviços de streaming.

É óbvio que eu leio e assisto quase de tudo, mas pra mim não tem prazer maior do que abrir um calhamaço biográfico, ou mergulhar nas séries sobre crimes não-solucionados, serial killers, ou qualquer outra coisa que me faça ficar fissurada num assunto, o que invariavelmente acontece.

Sendo assim, logo que estreou, a série “Quem Matou Malcolm X” entrou pra minha lista da Netflix. Até que assisti à sua cinebiografia, sobre a qual falei aqui, e não tive dúvidas sobre o que assistiria a seguir. Vi no mesmo dia o primeiro episódio.

A série é relativamente curta, com seis episódios, e acompanha um pesquisador independente, Abdur-Rahman Muhammad, em seu trabalho na busca de desvendar os vários mistérios que envolvem o assassinato do ativista.

O ícone Abdur-Rahman Muhammad

No decorrer dos episódios vamos conhecendo um pouco de Abdur-Rahman, um homem religioso, que trabalha como guia turístico e que dedicou boa parte de sua vida a entender e desvendar as conexões entre a Nação do Islã, o FBI e os supostos assassinos de Malcolm X.

Muito bem produzido, o documentário faz uma imersão em documentos, fotos e dados coletados pela polícia sobre o caso, e também no que foi reunido pelo pesquisador durante suas visitas aos Acervo Público de Nova York e Washington. Além disso, conta com entrevistas com historiadores e especialistas, policiais que trabalhavam à época na polícia de Nova York e até mesmo com Muhammad Abdul Aziz, um dos condenados, injustamente, pelo crime.

Apesar de tudo isso, não é uma série de cabeças-falantes e consegue ser bem dinâmico, também trazendo fotos e vídeos que complementam a história. Muitos dos depoimentos são bem reveladores e juntamente com a pesquisa de Rahman trazem uma nova perspectiva sobre o caso.

Creio que pra quem, como eu, não conhecia quase nada sobre a história, é um ótimo complemento ao filme. Além de trazer à baila discussões que infelizmente ainda são muito atuais, como racismo e negligência policial e do Estado. Precisamos de mais pessoas como Abdur-Rahman nesse mundo. Uma série necessária.

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