Achei tão bonito o cartaz desse filme quando vi no cinema, mas só consegui assistir agora que ele chegou à Amazon Prime.

Único filme que eu tinha assistido do diretor Mike Leigh tinha sido “Segredos e Mentiras”, que é muito bom pra dizer o mínimo, já que além de contar com ótimas atuações e roteiro, passa no Teste de Bechdel. Tenho muita vontade de conhecer mais da obra dele, mas ainda não rolou.

Neste sentido, “Peterloo” se aproxima de “Segredos e Mentiras” por conta de seus diálogos pra lá de afiados e certeiros, além de excelentes atuações. E isso sem falar na direção de arte e figurinos, além da fotografia.

Vale à pena ser desafiado pelo ritmo que o filme tem

A todo momento têm-se a impressão de se estar diante de um quadro e é muito bonito observar cada uma das cenas se desenrolando, porque com exceção da cena da batalha, quase todo o filme é meio parado de uma certa forma.

Para quem tem problemas com ritmo é bom ir avisado que Peterloo é um filme que exige certa atenção e paciência, mas a experiência ao final faz valer o esforço.

Homens brancos cis heteros já podem acabar

Antes de assistir eu não sabia, mas o filme é inspirado em uma história real de um episódio que ficou conhecido como Massacre de Peterloo. Trata-se de ataque promovido pelo próprio governo por meio da cavalaria contra um grupo grande de cidadãos britânicos que estavam em protesto/comício na praça de St Peter’s Field, em Manchester.

O grande trunfo do filme é mostrar a tensão social em decorrência de crise e fome se espalhando pelo país e como toda a noção de civilização e justiça também estão coladas a uma ideia de Deus e religião e também como os representantes dos poderes terrenos (jurídico, religioso, governamental e etc) usurpam toda essa noção e se articulam inescrupulosamente para se perpetuarem no andar de cima.

Nesse sentido, apesar de todo o trabalho da caracterização de um filme de época, não tem como a obra não ecoar os diversos acontecimentos paralelos que ocorrem atualmente – e desde sempre e também já há algum tempo – no mundo.

Will

Tem mais livros que amigos, mas tem os melhores amigos do mundo e troca qualquer série para estar com eles sempre que possível

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