Posted on: 5 de dezembro de 2013 Posted by: Raira Comments: 0

Um garoto solitário, com uma arma de fogo carregada dentro da mochila.

Leonard decidiu fazer do dia de seu aniversário uma data memorável, não só em sua vida, mas de todos aqueles que importam pra ele; o único detalhe é que seus planos não incluem uma festa, um bolo, muito menos cantar “Parabéns pra você”. Hoje é o dia em que ele vai matar seu ex-melhor amigo e logo depois se suicidar.

Aniversárioleonard175 digno desse nome deve incluir presentes, e por isso ele resolve presentear algumas pessoas que de certa forma são parte de sua vida e de sua história. Isso inclui o vizinho idoso com quem ele gosta de assistir filmes do Bogart, o garoto estranho do colégio que toca violino e a garota com quem ele gostaria de ter o primeiro beijo, o professor de Holocausto, e por fim sua mãe, que vive em outra cidade, sempre ocupada com seus desfiles de moda ou o namorado francês (na verdade o que ele guarda como “presente” pra mãe é um pouco diferente do que se possa imaginar, mas ele embrulhou com o mesmo papel de seda dos outros).

A narrativa é dividida entre o relato do dia de Leonard, e em como ele conheceu essas pessoas e qual o seu papel na vida dele. Passa também pela descoberta dos presentes e de seu significado para ele e para a pessoa que ele presenteia. Além disso, há um caminho que seguimos até descobrir porque ele quer matar o seu ex-melhor amigo e a si próprio, qual a causa de sua angústia e profunda falta de vontade de continuar vivendo, quais suas dúvidas e medos em relação à vida e em sua falta de conformidade com o mundo adulto, onde parece que todos são infelizes, ao mesmo tempo em que bem lá no fundo, há sempre a vontade de alguém ter lembrado de seu aniversário e parabenizá-lo, o que talvez teria sido suficiente para ele desistir dessa ideia.

Um personagem em evidência é seu professor, Herr Silverman, que ele considera ser o único que o entende de verdade, e em quem ele se inspira. Além de gostar muito do tema das aulas, Leonard parece ter uma conexão diferente com suas histórias e com a maneira com que ele ensina, fazendo com que ele entenda muito melhor seus exemplos e suas formas de aplicar as lições aprendidas em um dos maiores períodos de terror que o mundo já viveu, sendo que seus colegas muitas vezes apresentam dificuldade nisso.

Matthew Quick com certeza foi a descoberta do ano pra mim (ouso dizer pra nós dois que escrevemos aqui), com uma forma de contar histórias bem diferente do que já vimos, com uma sensibilidade incrível ao tratar de problemas psíquicos e traumas; sempre com uma escrita fácil e ao mesmo tempo profunda. Esse é um livro que eu poderia passar muito tempo citando trechos, pois é praticamente impossível destacar um só; apesar de parecer um tema difícil ou pesado, todo o livro é escrito com uma sensibilidade e uma doçura que são incomparáveis. Vale a pena ser lido por qualquer um, de qualquer idade, em qualquer momento da vida. 

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