Posted on: 7 de janeiro de 2020 Posted by: Lucas Alves Comments: 1

(EUA/Canadá, 2019) ☆☆☆☆

Quatro anos depois de apresentar ao mundo “A Bruxa”, filme que divide opiniões até hoje, Robert Eggers está de volta na direção e também assina o roteiro ao lado de seu irmão Max Eggers. Willem Dafoe e Robert Pattinson estrelam o thriller, e acreditem, essa mistura deu muito certo!

Em tempos de novas tecnologias e alta definição de imagem e som, Eggers optou por rodar o filme em película 35mm (sim, aquele sistema antigo com rolo de filme) e em preto e branco. O resultado disso é aquela antiga tela quadrada 4:3, que pode parecer estranho no início, mas durante a projeção quase não nos damos conta disso tamanha a complexidade do roteiro, reviravoltas e simbologias do longa.

Na trama ambientada no início do século XX, Thomas (Willem Dafoe) é um faroleiro veterano em uma ilha completamente isolada, que contrata Ephraim (Robert Pattinson) como ajudante. Com o passar do dias, a convivência vai se tornando cada vez mais difícil, tanto pelas adversidades do local inóspito, quanto pelas atitudes de Thomas, que proíbe desde o início o acesso de Ephraim ao tal farol. Cabe a ele apenas o trabalho mais pesado, gerando uma certa obsessão do novato ajudante pelo local, ao mesmo tempo em que estranhos fenômenos acontecem na ilha.

Em alguns momentos, o desenrolar lembra bastante o de “O Iluminado”, com os personagens isolados, forçados a viver no mesmo ambiente e à beira da loucura. Porém, aqui, em certo ponto ela já está completamente instaurada; é quando começamos a nos perguntar o que é real ou não em meio ao caos, testando os limites do ser humano. O clima tenso e perturbador é o que dá o tom ao suspense, que não usa os clichês do terror convencional, com sustos gratuitos e sangue para chamar a atenção. É nesse momento em que a projeção em preto e branco deixa tudo ainda mais sombrio e os cenários mais claustrofóbicos, deixando uma sensação de angústia e ao mesmo tempo prendendo o espectador e despertando cada vez mais a curiosidade para saber como tudo aquilo pode acabar.

Willem Dafoe já é conhecido por seus personagens viscerais e até mesmo psicóticos e jamais iremos duvidar da sua capacidade de chocar, visto seus trabalhos com Lars Von Trier, por exemplo, e entrega aqui mais uma atuação impecável.

Robert Pattinson, que muitos já torcem o nariz só de ouvir falar o nome, é a grande surpresa da vez, deixando aquela imagem (de vampiro brilhante rs) teen ou de ator sem expressão de lado e, pra mim, mostra aqui o seu amadurecimento, fazendo com que o público passe a enxergá-lo com outros olhos.

Repleto de referências mitológicas e simbologias, seja sobre masculinidade, poder, dominação e submissão ou até mesmo um tom de homoerotismo entre os dois personagens que se provocam, talvez até por medo, enquanto tentam encontrar um jeito de sobreviver, “O Farol” é um daqueles filmes que chocam e fogem do comum, que nos deixam atônitos naquele momento em que as luzes se acendem e precisamos levantar pra ir embora, mas quase não conseguimos pois estamos paralisados ainda digerindo toda a informação absorvida.

Lucas Alves
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  1. O Farol é um daqueles filmes inesperados e que te pegam pelo estomago, sem dó nem pena!
    É um filme que vai te fazer pensar por alguns dias!!

    Excelente review Lu!!!!

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