Posted on: 20 de agosto de 2020 Posted by: Lucas Alves Comments: 1

Parte deste texto foi escrito em novembro de 2019, logo após o Festival Mix Brasil, onde eu assisti “Música Para Morrer de Amor” pela primeira vez. Em menos de um ano, o mundo virou de cabeça pra baixo, literalmente. De um lançamento tradicional nos cinemas, tivemos uma pré-estreia online, seguida de outras pré-estreias em cinemas drive-in (em 2019, quem imaginaria?!) e enfim, uma estreia em VOD (video on demand) que apesar de não trazer todo aquele clima e o charme que os cinemas têm, é um formato que atinge um número maior de pessoas, já que consegue levar o filme até a casa de cada espectador e dá uma oportunidade igual de acesso àqueles que não moram no eixo Rio-São Paulo ou em cidades grandes e capitais. Tinha que ser assim, o destino quis que fosse assim. E vai ficar pra história, exatamente assim.

Victor Mendes (Ricardo). Mayara Constantino (Isabela) e Caio Horowitz (Felipe).

“Música Para Morrer de Amor” é uma adaptação de “Música Para Cortar os Pulsos”, peça de teatro escrita por Rafael Gomes e que estreou em 2010 em São Paulo. Definitivamente aquela não seria apenas mais uma sessão de cinema, pra mim talvez essa fosse a mais importante da minha vida. Ela fechava um ciclo de 10 anos de uma relação de muito amor, muitas peças e muitos filmes que tenho com essa equipe. Chegada a hora, fui imediatamente transportado pro passado, e durante os primeiros minutos de projeção, eu já não estava mais ali, quem estava era o Lucas de 10 anos atrás. E as lágrimas eram inevitáveis. Quem assumiu aquela poltrona era jovem que não era mais adolescente, mas também ainda não se considerava adulto. Era aquele que sofria ouvindo músicas tristes até mesmo sem motivo (sofro até hoje – quem não?), que não lidava muito bem com desilusões amorosas (também sofro até hoje – é a vida, rs).

A relação que eu construí com esses personagens ia se misturando com a felicidade de vê-los ali, num ambiente totalmente novo, se relacionando com outras pessoas e falando sobre temas ainda tão presentes na minha vida e de muitos dos espectadores alí, tendo eles ou não visto a peça. A projeção seguia e a medida em que certos diálogos iam acontecendo, eu ia completando cada eles na minha cabeça, faziam parte daquele texto do teatro que eu sabia de cor.

Caio Horowitz era um rosto novo, interpretando um personagem que eu já conhecia bem e foi uma surpresa tão agradável, dando vida nova ao Felipe de uma maneira tão verdadeira e construindo uma divertidíssima relação com sua mãe, vivida por ninguém menos que Denise Fraga!

Mayara, nos entregou uma Isabela que também sofre, mas me parece ser uma versão diferente da Isabela do teatro, um pouco mais madura talvez, mas ainda muito sentimental que tenta superar a dor do amor, mas não sabe lidar muito bem com isso, “porque todo fim de amor, é infinito”. E ela tem o poder de em diversos momentos, dizer absolutamente tudo, apenas com um olhar. Na cumplicidade com a irmã, interpretada pela Nana Yazbek, que também está se separando, mas já mergulhando de cabeça num amor totalmente novo. E no relacionamento com a avó (Suely Franco), que criou as duas como filhas.

Victor Mendes, como Ricardo, vem com força total e se entrega de corpo e alma, ele vive amores, cada um da sua maneira (a água pros barcos, o céu pros aviões) e é tudo tão real. Eu me via no Ricardo, eu me via naquelas situações, conhecia os dois lados da história. E o Victor nos presenteou com uma interpretação muito íntima, completamente verdadeira, vinda do coração mesmo. E é tão lindo de ver essa entrega na tela, que em momento algum soa forçada ou estereotipada. 

Tudo isso embalado por músicas das mais diversas, as participações musicais tão especiais. Da trilha clássica, ao sertanejo, do tango ao brega. Algumas dessas sequências são tão incríveis e vêm em momentos cruciais. Preparem o coração para a sequência de “Três da Madrugada”, com uma avalanche de sentimentos tomando conta de tudo e de todos, além da hilária cena do karaokê, que começa com a própria Fafá de Belém cantando “Abandonada” e acaba com Denise Fraga e Caio Horowicz cantando “Não Aprendi Dizer Adeus” em um belíssima tomada sem cortes.

Rafael Gomes, o diretor, que escreveu o texto original da peça e também o adaptou para o cinema, conhece muito bem o seu público, definitivamente. Mas também sabe como ninguém cativar novas plateias, mesmo que para alguns soe um tanto exagerado situações e a mistura de diálogos de óperas e citações de Shakespeare em meio vida desses jovens paulistas de classe média, temos o equilíbrio de volta em sacadas como quando um deles diz: “- Eu só penso que todo dia morre a mãe de alguém, sabe? Tem pessoas que têm problemas reais, né?”. 

Em tempos tão difíceis no Brasil, com a arte sendo atacada de maneira tão brutal, é lindo de ver esse trabalho finalizado e feito de maneira tão dedicada, por cada uma dessas pessoas que eu tanto admiro e que batalharam duro para que esse sonho se concretizasse. Ao Rafael, a Mayara, ao Victor e a toda a equipe envolvida direta ou indiretamente, fica aqui o meu MUITO OBRIGADO, por absolutamente tudo!

“MÚSICA PARA MORRER DE AMOR” está disponível em sessões drive-in pelo país e para aluguel on demand nas plataformas NOW, Vivo Play e Oi Play.

Lucas Alves
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