Posted on: 17 de dezembro de 2020 Posted by: Lucas Alves Comments: 0

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(EUA, 2020) Direção: Patty Jenkins

Três anos após a parceria de sucesso (de crítica e público) de Patty Jenkins e Gal Gadot, “Mulher-Maravilha 1984” dá sequência a história da amazona Diana Prince e mostra que ainda existem inúmeras possibilidades a serem exploradas no “cinema de super-herói”. Fica na mesmisse quem quer. Ainda se tratando de uma prequela se considerado o DCEU como um todo, levar a trama para especificamente para 1984 dá a Patty Jenkins um mar de possibilidades visuais, além daquele sentimento de nostalgia, mesmo nos que não viveram nada daquilo.

Apesar da trama relativamente simples, o roteiro de “Mulher-Maravilha 1984” consegue desenvolver muito bem cada personagem individualmente, o que talvez possa parecer até um tanto arrastado em alguns momentos, mas cada detalhe apresentado no início, será útil no decorrer e no final da história. Ponto positivo também para as referências e clima de quadrinhos, trazidas por Geoff Johns, que assina o roteiro com Patty Jenkins e David Callaham, como o jato invisível e voo de Diana, esse que também pode ser visto como uma referência ao clássico voo do Superman de Christopher Reeves. Pura nostalgia, coração quentinho.

Com sequências de ação mais comedidas, mas ainda assim muito bem executadas, o foco acaba sendo justamente os personagens e não o número de explosões e pancadaria, embora elas ainda estejam já. O que acaba exigindo assim, um pouco mais de Gal Gadot e do elenco. A cena de abertura é épica, grandiosa e visualmente linda. Somos levados de volta à Themyscira acompanhando uma espécie de Olimpíadas das Amazonas, com Diana ainda criança já enfrentando oponentes adultas. Toda essa cena tem sim um propósito maior e é essencial para o que é construído e apresentado no final.

Kristen Wiig entrega uma Bárbara Minerva extremamente cativante e em excelente sinergia com Gal Gadot, fazendo com que o público acabe ficando com pena da vilã, torcendo por uma redenção sempre. A caracterização final da Mulher-Leopardo surpreende que acabou deixando o público um tanto apreensivo com os trailers, está excelente, enterrando de vez o medo de um possível “efeito Cats”.

Pedro Pascal como um Max Lord, magnata/personalidade da TV, bem típico dos anos 80 é a grande surpresa da vez, já que quase nada de seu personagem foi revelado no material de divulgação e praticamente todo o desenvolvimento do longa gira em torno dele. Algo que também pode ser frustante para alguns que esperavam justamente que Barbara fosse a grande antagonista.

O misterioso retorno de Steve Trevor talvez fosse o maior medo de quem acabou criando muita expectativa com o filme e felizmente a solução encontrada é bem desenvolvida e plausível. A conexão dele com Diana Prince é essencial para o desenvolvimento desse lado mais humano dela, já que mesmo décadas depois ela ainda parece viver em luto pela perda do amado. Steve funciona muito bem também como alívio cômico, já que mesmo tendo um papel importante ajudando Diana, ele acaba tendo que de adaptar a sua nova realidade, vivendo no futuro.

Talvez a grande receita do sucesso de “Mulher-Maravilha 1984” além de repetir a parceria Jenkins/Gadot, apostar em um filme mais leve e divertido, com muito mais emoção no lugar da ação; na estética mais “brega” dos anos 80, de maneira não-exagerada e até mesmo a não se leve tão a sério; nos momentos de fragilidade e de vulnerabilidade de Diana e de Barbara, mostrando também como ações simples do dia a dia podem e machucam as pessoas ao nosso redor. Fechando com chave de ouro, uma mensagem linda de esperança na humanidade, de como os nossos desejos individuais podem ser egoístas e altamente destrutivos se cada um só pensar em si próprio, apesar de parecer muito clichê, caiu como uma luva pelo momento que estamos passando. É um pacote completo com um caloroso abraço no final.

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ATENÇÃO: Aos que são pura nostalgia e acompanham Mulher-Maravilha há mais tempo e em outras mídias, uma cena pós-creditos que é literalmente uma MARAVILHA.

Lucas Alves
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