Comédia

Published on março 22nd, 2015 | by Fernanda Correia

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Fecham-se as cortinas de Glee

Um dos marcos da televisão chegou ao fim.

Ryan Murphy tem um talento meio estranho. Ele inventa séries incríveis, mas acaba se perdendo no meio delas. “Popular” é um dos exemplos mais antigos e mais óbvios (inclusive aguardamos o DVD eternamente). Titio Ryan também é um grande apelão, pegando no calo quando quer emocionar, tratar de temas sérios ou chamar atenção.

Glee tem tudo isso. A série começou incrível, recebeu indicações e prêmios até dizer chega, daí começou a desandar, ficar estranha, Corey morreu e o caldo entornou de vez. Mas, goste de Glee ou não, ele é um marco na cultura pop. É só reparar no tanto de série que teve episódio musical depois de 2009 — Grey’s Anatomy tem um dos episódios mais constrangedores graças a isso. E no quanto personagens até então deixados de lado ganharam voz.

Confesso que quando comecei a assistir — e lembro perfeitamente que foi depois de insistência de uma amiga que peguei pra ver TUDO no hiatus de fim de ano da primeira temporada — foi com certa birra. Pra mim nada mais era do que um grande High School Music em forma de série. Mas me apaixonei e me vi cantando as músicas da semana em repeat no iPod.

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E mais que qualquer outra coisa, foi uma série que ajudou muita gente a se aceitar, quer seja no menor defeito possível. Eu, particularmente, aprendi a aceitar aquilo que é diferente de mim e não julgar qualquer atitude que eu não tomaria. Além, é claro, nunca desistir dos sonhos (vamos todos canalizar nossa Rachel Berry interior).

Só posso imaginar o quanto ela foi importante para outras pessoas, pessoas essas que em 2020 (data recorrente no series finale) vão olhar pra trás e ver o quanto aqueles adolescentes desajustados foram a voz que eles não conseguiram encontrar. O filme (obviamente caça níquel e com todo o poder de apelar do Ryan) fala um pouco disso e mostra, entre outros fãs, uma fã com Síndrome de Asperguer (o que explicando toscamente seria: um autismo MUITO elevado) que só conseguiu se relacionar com outras pessoas quando encontrou quem também gostava de Glee.

Ao longo dessas seis temporadas, os personagens se tornaram amigos, eu ri e me emocionei com eles. Chorei a morte do Corey e fiquei preocupada com a magreza e a tristeza da Leah logo depois. Me irritei com as mudanças que não deram certo, falei várias vezes que a série tinha perdido o timing e deveria acabar — quando nem um episódio inteiro focado exclusivamente em Darren Criss agrada é porque a coisa tá feia. Mas a verdade é que eu aguardava ansiosamente pelas músicas da semana e passava os intervalos entre temporadas desesperada para renovar a playlist.

Glee vai fazer falta. Merecia ter tido um caminho diferente do que teve, mas assim como as lições aprendidas e os tabus quebrados, não dá pra desejar que fosse de outra forma. Obrigada e que venha Scream Queens!

Encerro com esse lindo número do series finale. Letra do Darren Criss e interpretação da Leah Michelle. Impossível não ser bom.



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Tem mais séries e livros para ver e ler do que tempo hábil. Sonha em encontrar o Doctor só para usar a Tardis e zerar a sua pilha. Encontrou o sentindo da vida quando assinou o Netflix.



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