Posted on: 4 de novembro de 2021 Posted by: Raira Comments: 0

Como o Dawson é chato. Essa, pra mim, é a frase que define essa temporada.

A terceira temporada começa com o nosso protagonista voltando para Capeside depois de passar o verão com a mãe na Filadélfia. Depois de ter quase coagido a Joey a denunciar o próprio pai na polícia e, por consequência, do término da frágil relação, ele foi esfriar a cabeça em outras paragens.

No ônibus ele conhece Eve, a loira misteriosa que por coincidência está indo pra sua cidade e com quem ele vai travar um breve romance. Sem muitas pistas de onde veio e pra onde vai, a personagem, interpretada pela atriz Brittany Daniel, serve apenas pra causar ciúmes na Joey e uma certa comoção na cidade pequena onde nada nunca acontece.

Esse é o plot mais sem graça da história, já que acabamos descobrindo que ela na verdade está à procura de sua mãe biológica que, por coincidência é a mãe da Jen. E aí ela vai embora e nunca mais ficamos sabendo o que acontece fim da história.

Depois, pesquisando, descobri que a terceira temporada é a primeira depois da saída do criador, Kevin Williamson, da equipe, o que inicia uma série de tentativas/erro por parte dos roteiristas e showrunners (sim, no plural) em busca de um tom pra essa temporada.

Como espectadora, foi um desafio não desistir de uma vez dessa série, principalmente na primeira metade da temporada. Andy, a certinha resolve colar no PSAT (um ‘pré-vestibular’); a trama pós-saída do armário do Jack fica meio morna; a relação entre o Dawson e Joey continua na mesma de sempre.

Uma curiosidade é que o 4º episódio tem o título de “Indian Summer”, e eles usam muito esse termo; fiquei com a pulga atrás da orelha porque lembrava de uma música do Stereophonics com o mesmo título; fui pesquisar, e descobri que na verdade esse é um termo que caracteriza um tipo de veranico, como chamamos aqui no Brasil, que ocorre no outono e se caracteriza por um calor úmido sem chuvas, antes do tempo esfriar de vez. Dawson’s Creek também é cultura.

Voltando à trama, eu gosto da ideia de episódios que homenageiam ícones pop, como acontece na primeira temporada com “The Breakfast Club”; essa temporada faz uma referência a “Bruxa de Blair”, em um episódio onde os nossos protagonistas ficam presos numa ilha com uma história sinistra e meio mal assombrada. Não é dos melhores, mas dá pra levar uns sustinhos.

A partir do episódio 10, mais ou menos, as coisas começam a melhorar um pouco, quando o foco se volta para o que parece, e que depois se confirma, um início de envolvimento amoroso de Joey e Pacey.

Preciso fazer um adendo importante que é: Pacey Witter. Joshua Jackson, dentre os cinco protagonistas, era o mais experiente à frente das câmeras, até como protagonista no elenco de “The Mighty Ducks (Nós somos os campeões)”, e isso fica muito claro porque ele segura muito bem os roteiros nem sempre favoráveis; fora o carisma e aquela carinha fofa dele (sim, ele é um crushzão por aqui).

Sendo assim, qual não foi a minha alegria quando finalmente ele e a Joey começaram a se aproximar, já que a Katie Holmes também é uma atriz ótima e a Joey uma personagem muito interessante. Isso garantiu mais momentos interessantes e menos Dawson na tela, o que sempre é uma alegria, já que o drama do filho de pais divorciados se arrasta horrivelmente na vida dele e ele começa a se questionar também sobre se seu futuro será mesmo no cinema. Poderia ser interessante, mas só é chato.

Assim como acontece na 2ª temporada há uma minúscula tentativa de tratar de temas mais espinhosos. Se lá era a homofobia, aqui é o racismo. O diretor da escola, Howard Green, um homem negro, é demitido pelo conselho da escola por ter expulsado um garoto-problema, que acaba sendo filho de alguém poderoso da cidade.

Com apenas quarenta minutos pra tratar de um assunto como esses, fica tudo muito na superfície com a tentativa da Joey de angariar aliados e fazer um protesto pela permanência do diretor, que fica só nas boas intenções e não resulta em nada concreto. E assim perdemos os dois únicos personagens negros da temporada, o diretor e sua filha Nikki. Personagem que, por um curto espaço de tempo, parece que vai engatar algo com o Dawson mas que também não se concretiza.

Antes de falar sobre o final, queria ressaltar que o episódio de número 20 é um dos mais interessantes da temporada. Intitulado “The Longest Day”, ele se passa no intervalo de um dia e conta a mesma história de três pontos de vista diferentes, até o desfecho que é o mesmo para os três personagens, Joey, Pacey e Dawson. O resultado é muito legal de assistir.

Preciso dizer que os pais do Dawson resolvem se reconciliar, agora que ela é dona de um restaurante na cidade, e até se casam novamente.

Por fim, mas não menos importante, volto à frase do começo: Dawson é muito chato. O romance de Joey e Pacey vira uma realidade e a reação dele não poderia ser a pior; ele dá um chilique e se sente traído pelos dois amigos. Mais do que isso, ele coloca a Joey de novo em uma posição incontornável quando pede para ela escolher entre ele ou o Pacey.

Não sou grande defensora do amor romântico, isso é um fato. Mas o que pega aqui é o fato de ele se achar no direito de ser dono do destino das pessoas, e mais ainda, da Joey. Porque lá no final da temporada anterior, quando ele a fez usar uma escuta para denunciar o próprio pai à polícia, o que por si só já é um absurdo sem tamanho, eles terminaram o namoro e cada um foi pra um lado; além disso, durante esse ano ele já tinha tido um pseudo-romance com a Eve e com a Nikki.

 E aí, absurdo dos absurdos, é preciso que, no último episódio, ele tome a iniciativa de liberar a Joey pra ir atrás do Pacey, já que entende que ela o escolheu, mas quer o outro. Ele “deixa” ela ir, com a promessa de que a amizade deles não chegou ao fim. É péssimo como todo mundo se subordina aos caprichos de menino mimado dele.

Mas agora é verão, e Joey e Pacey estão viajando pelo Caribe no barco que ele reformou durante toda a temporada. A quarta temporada vem aí, logo mais; até lá.

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