Séries

Published on junho 12th, 2019 | by Will

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Amizade Dolorida

!Atenção, esse texto contém spoilers!

Eu quero dar um beijo na boca em quem inventou esse formato de série de 15 minutos com poucos episódios que estão ficando cada vez mais frequentes na Netflix.

Ao que tudo indica pode ser uma forma de testar novos produtos e narrativas.

Antes de investir pesado em uma proposta arriscada que pode não encontrar seu público ou sofrer resistência de nichos mais conservadores, usa-se essas séries como balão de ensaio.

Se der certo, pode ser renovada e ganhar uma sobrevida com mais episódios e tempo de duração. Se não der, nunca aconteceu.

A protagonista é uma fada dominatrix sensata perfeita que nunca errou

Panorama analisado, vamos às questões de “Amizade Dolorida”. Antes. Quero dizer aqui que gostei do show. Foi um ótimo passatempo durante os dias que passei assistindo. Sorry maratonistas, eu só vejo um episódio por dia.

Mas, a série me deixou com muitos incômodos e eu vim aqui dividir eles com vocês, ainda que vocês não tenham pedido por isso.

Minha primeira questão é que a série se propõe a ser uma comédia. Problema é que ela não é engraçada. Salvo uns momentos aqui outro ali em que você dá aquela risadinha meio bufada.

A segunda é a premissa da série que é sobre uma garota que é dominatrix em um clube fetichista e chama um amigo gay de longa data dos tempos do colégio para ser seu assistente.

Uma parte dos conflitos surge porque o amigo é a própria Pollyana moça no tico tico no que toca a expectativas em relação ao amor romântico. Aí não dá.

Porque de uma certa forma o que esse boy traz é uma grande ridicularização de alguns fetiches e a heteronorma da monogamia é apresentada como única possibilidade não risível de se relacionar.

Algumas cenas chegam a ser constrangedoras. Tipo a do episódio dos pinguins. E olha que a gente já viu uns filmes muito mais ousados no Festival Mix Brasil sobre fetiches alternativos.

O que está acontecendo aqui?

É isso. Falta ousadia, além de graça à piadas e situações. Cantar parabéns para mijar, sabe? É bobo demais. Além de que, se eu pudesse dar um conselho para o Carter seria para ele beber água, porque o xixi neon dele parece que veio direto de Tchernóbil. Misericórdia.

Ah sim. Tem o plot do garoto também. Ele ser engraçado e trabalhar como garçom num bar de Stand Up Comedy e ter o talento para se apresentar, mas não ter coragem para fazê-lo. Daí quando faz, nossa. Que vergonha alheia. Puta merda.

Fran-ca-men-te, viu.

Sobre a Tiff, a outra protagonista eu não tenho muito a falar. Acho ela uma personagem mais redonda. Tenho algum incomodo com o boy que orbita ela e é o interesse romântico, mas sei lá. Não é um grande incômodo assim. Acho que no plot dela me incomoda mais o Rolph do que outras coisas.

No mais, acho o desfecho dessa temporada ruim. Tipo o último episódio ainda que eu goste do simbolismo de reprisar uma situação e lidar com ela de maneira diferente, já que de uma certa forma a real protagonista da série é a amizade entre eles dois.

Tem uma cena de fio terra na série que não tem quase nada de maior consequência dramática e acho que isso resume bem o que é a série. Premissa ótima e problema na execução. O que faltou foi mais dedo no cu.

Se tiver segunda temporada que não fique no meio do caminho em vários sentidos querendo agradar todo mundo. Também não precisa ter mais tempo de duração. Essa média de 15 minutos está ótima. E Netflix, me contrata.

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Tem mais livros que amigos, mas tem os melhores amigos do mundo e troca qualquer série para estar com eles sempre que possível



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