Posted on: 13 de janeiro de 2020 Posted by: Lucas Alves Comments: 0

(EUA, 2019) ☆☆☆☆☆

Se tem uma coisa com que Hollywood não tem o menor problema são os remakes. Temos aos montes muitos deles desnecessários. Até concordo que em alguns casos as novas versões são bem interessantes e em situações bem específicas, conseguem ser melhores do que o original. A versão de Greta Gerwig se encaixa nos dois últimos casos. Desde a adaptação do roteiro até escolha do elenco, a obra tem um equilíbrio excelente em todos os aspectos.

Embora já conhecida por muitos, seja pelo livro, pela minissérie da BBC ou pelas outras cinco adaptações para o cinema, a história quase autobiográfica de Louisa May Alcott, publicada originalmente em 1868, tem alguns pontos que permanecem incrivelmente atuais.

No filme, as irmãs Jo, Meg, Amy e Beth, vivem nos EUA de 1860, junto da mãe Marmee, atravessando a Guerra Civil Americana, precisam lidar com a ausência do pai, que está na guerra, o amadurecimento delas, as dificuldades da época, como o machismo e a independência feminina.

Um dos diferenciais da nova versão, é como Greta Gerwig optou por contar a história com uma linha do tempo não-linear, o filme começa com Jo já adulta e vivendo em Nova Iorque, se dividindo entre o trabalho como professora e o sonho de ser escritora, todo o restante é uma sucessão de flashbacks e idas e vindas no tempo, o que poderia deixar o longa cansativo e confuso, mas não neste caso. Aqui esse artifício ajuda a criar sempre o clima de curiosidade em relação ao passado dos personagens, como se formaram os conflitos entre eles e de como serão (e se serão) resolvidos.

O elenco está afiado e conseguimos sentir sempre uma boa uma sintonia entre eles, a protagonista Jo (Saiorse Ronan) tem sempre aquele ar de menina desajeitada, totalmente fora dos padrões da época, entre atitudes e sonhos. Meg (Emma Watson), a filha mais velha, meiga e com espírito de mãezona, precisa sempre se equilibrar na vida e por ter escolhido o verdadeiro amor ao invés de um homem rico. A terceira filha, Amy (Florence Pugh) com talento para as artes é uma exímia pintora, mas que sente sempre vivendo à sombra de Jo. A filha mais nova, Beth (Eliza Scarlen), toca piano e é a queridinha de todos. Entre as veteranas, Laura Dern vive Mermee, a mãe, uma mulher sempre solícita e solidária com todos ao seu redor em contrapartida Meryl Streep é Tia March, a rica e solteirona, que parece estar sempre de mal humor, mais conservadora e sempre alertanto as irmãs de que a vida não é sempre cor-de-rosa. Completam o time Timothée Chalamet, Bob Odenkirk e o francês Louis Garrel.

Grande destaque também para as questões técnicas, como a fotografia, que altera de forma muito singela, porém eficiente as mudanças entre passado e presente, a direção de arte e o figurino pelo belo trabalho de ambientação. De forma geral a leveza e o equilíbrio entre o drama e humor, são os grandes trunfos do longa, somados ao elenco de peso e um excelente ritmo, que apesar dos 135 minutos de projeção, não cansam o espectador. A diretora faz com que certos conflitos não sejam tão diferentes assim do que os que vivemos nos dias atuais, principalmente para as mulheres, sem apelar demais para o drama ou para um empoderamento feminino que pareça forçado, algo recorrente em certos filmes que tentam se escorar no tema e não agregam nada à discussão.

Lucas Alves
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