Livros

Published on novembro 3rd, 2014 | by Will

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A Vez de Morrer

O bucolismo contemporâneo de Simone Campos

Eu achei “A Vez de Morrer” tão bom, mas tão bom, que no meio da leitura eu queria parar e dar um abraço na Simone Campos pra agradecer.

Cheguei ao livro por meio do Santiago Nazarian, que fez um post no blog dele e fez uma entrevista com a Simone para “O Globo”.

Eu me identifiquei de cara quando ela fala sobre a dificuldade de os jovens adquirirem uma casa devido a bolha imobiliária.

Logo depois o Daniel Galera falou em sua coluna, também n’O Globo sobre a temática de “A Vez de Morrer”, o “Biofobia” e o seu “Barba Ensopada de Sangue”, em que os protagonistas deixam os ambientes urbanos para viver em pequenas cidades do Brasil e passam a lidar com as questões do autoexílio.

Eu, que adoro me isolar na casa do meu vô em Caraguá fiquei ainda mais a fim de ler. Ou seja, vários motivos pra ler Simone Campos. Daí a Fernanda tinha recebido da Companhia das Letras e me deu. 🙂

E assim, só queria dizer que toda expectativa foi mais do que correspondida. “A Vez de Morrer” é ótimo.

Tudo começa quando Izabel, a protagonista, que está no Canadá (assim como a Luiza), recebe a notícia da morte do avô. Quando volta para o Rio de Janeiro, passa o final do ano no sítio/fazenda/casa do avô em Araras, na região serrana do Rio.

No começo, bem no começo, eu tive que voltar algumas vezes porque começava a ler e ficava viajando. De repente era eu que estava na casa do meu vô e confesso que a descrição toda da casa de Izabel me atrapalhou. Risos. Ah, algumas palavras também desnecessárias.

Quando Izabel começa a sair do casulo e se relacionar com outros moradores da região a história engrena e fica difícil querer largar o livro.

Suas idas ao Rio, as festas, os namoros, seu círculo social, seu trabalho e seu desemprego e a relação com a mãe dramática são elementos críveis. Izabel escorrega de uma situação para outra  de um jeito bastante natural e realista.

Outros personagens vão ganhando destaque na trama, como Eduardo, o dono da lan house local, que tem que lidar com o conservadorismo da família classe C, evangélica e sua vontade de partir para voos maiores.

A presença de Izabel na cidadezinha provoca reações além do esperado. E como tudo chega a esse ponto é descrito de um jeito leve, com uma boa dose de bom humor e cheio de referências pops como jogos de video-game.

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Tem mais livros que amigos, mas tem os melhores amigos do mundo e troca qualquer série para estar com eles sempre que possível



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