Posted on: 25 de agosto de 2020 Posted by: Fernanda Correia Comments: 0

Quando Suzanne Collins anunciou um novo volume de sua série ‘Jogos Vorazes’ surgiu o receio: para quê? A trilogia termina muito bem, tudo muito estruturado, o que mais havia para contar na história de Katniss?

Muito inteligente, o livro trata-se de uma prequel, uma narrativa sobre o início dos jogos que estão em sua décima edição. O personagem principal, um Snow de 18 anos que será mentor na próxima edição.

‘A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes’ foi publicada em junho de 2020 e chegou acompanhada de polêmica. A principal reclamação é muito válida: o livro é longo. São mais de 500 páginas acompanhando um curto período de tempo.

E a questão não é só o tamanho do livro, mas como a narrativa está distribuída ao longo destas páginas, geralmente transformando a solução de um nó da trama com o início de outro problema, em um looping infinito que vai encerrar em uma única grande manipulação.

Outra reclamação é a de que o jovem Snow não parece o presidente Snow que vai levar Katniss à loucura. A princípio, isso faz todo o sentido. Ele ainda é jovem, vivendo em um mundo que ainda não se adaptou ao pós-guerra, é nítido que o tempo irá transformá-lo no sádico presidente. O problema é que ocorrem situações que beiram uma humanização forçada, nas quais é difícil acreditar que ele é realmente tão inocente.

Aqui começam os problemas da narrativa. Enquanto a trilogia original tinha o mérito de colocar o romance como um mero pano de fundo, o que os filmes trouxeram para o holofote e atrapalharam uma boa adaptação, aqui o romance improvável vai ganhando cada vez mais espaço e se tornando cada vez mais improvável.

Além disso, porque gastar espaço com uma prequel que enfoca justamente em cenários que já conhecemos. Em determinado ponto da trama a história é transferida para o Distrito 12. Não seria mais interessante conhecermos melhor os outros Distritos? Como alguns se tornaram privilegiados na época da trilogia enriqueceria o mundo distópico, mais preocupado em deixar claro que se trata dos Estados Unidos e dando apenas pequenos vislumbres dos outros Distritos.

Finalmente, há detalhes e piscadelas ao leitor da história original que são muito inocentes, tendo inclusive uma menção a Katniss, ainda que não seja a garota. As canções são um detalhe muito inteligente, mas que tornariam a rebelião muito mais complexas se não fossem apresentadas como algo muito ligado ao Distrito 12.

No fim acaba sendo um livro repleto de bons insights que não se desenvolveram da melhor forma. Talvez ter Snow como um personagem importante, mas não o protagonista funcionasse melhor. Conhecer a fundo o vilão nem sempre é a melhor escolha. 

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