Posted on: 31 de janeiro de 2020 Posted by: Lucas Alves Comments: 0

(Reino Unido/EUA, 2019) ☆☆☆☆☆

Filme de guerra. Tiros, explosões, tiros, tiros e mais tiros, atos de heroísmo. Todos os gêneros de cinema sofrem com situações comuns e clichês. Cabe a equipe ter criatividade e para fazer algo novo em meio a tudo isso. Mas 1917 não é um filme de guerra comum ele é mais um filme que se passa durante a guerra. Na trama, Will e Blake,são dois soldados ingleses recebem a missão de entregar uma mensagem aos aliados cancelando um ataque que seria na verdade uma emboscada dos inimigos, salvando assim mais de 1600 soldados, entre eles o irmão de Blake. Mas para isso, precisam correr contra o tempo e atravessar o território inimigo sozinhos.

Existem mil maneiras de se contar uma história e um dos pontos positivos do longa de Sam Mendes é justamente ter o foco nos homens ali retratados e na missão a ser cumprida e não em fazer um panorama geral sobre a guerra em si ou sobre uma batalha em específico. Não há um lado certo ou um lado errado, vilão e mocinho, são dois jovens que forçados a estarem ali em meio a tanta desgraça e morte, se viram como podem e tentam evitar a todo custo mais mortes, entre elas a do irmão de um deles.

O filme é ambientado durante a Primeira Guerra Mundial e trata-se de um roteiro original escrito pelo próprio Sam Mendes e por Kristy Wilson-Cairns, baseado em relatos do avô do diretor, que serviu na guerra. E isso não tira mérito nenhum, pelo contrário, é um leque de possibilidades já que por não se tratar de uma história real, não precisa seguir uma linha certinha e pode ter outros desdobramentos. Só o fato de se passar durante esse período já é um grande diferencial, já que a grande maioria dos filmes exploram muito mais os acontecimentos da Segunda Guerra.

Por ser filmado em “plano sequência”, ou seja em longas tomadas “sem cortes”, e em ‘tempo real”, tudo tem um ar ainda mais grandioso, seja no lamaçal das trincheiras, nos abrigos subterrâneos ou nos grandes campos abertos onde ocorrem ataques aéreos. E justamente essa característica fez necessária a criação todo um ambiente em tamanho real desses lugares e exigia toda uma enorme movimentação muito bem coreografada não só dos atores, mas de toda a equipe por trás das câmeras e de centenas de figurantes.

Existem sim alguns cortes, pois o roteiro pede uma passagem de tempo, mas o trabalho de edição é excepcional e eles são quase imperceptíveis. Inclusive a estratégia adotada para avançar algumas horas, quando um dos soldados é atingido e fica desacordado. Todos esses truques de edição, somados ao belo trabalho de fotografia, direção de arte e som, trazem ainda mais realismo e a sensação de imersão é absurda. É como se o espectador fosse um terceiro soldado inserido ali.

Ao final da projeção é vemos que todas as indicações ao Oscar e aos demais prêmios de cinema são mais do que justificáveis, são realmente merecidas, principalmente das categorias técnicas como Design de Produção, Edição e Mixagem de Som e Efeitos Visuais. Sam Mendes desponta como o favorito a Melhor Diretor e não me surpreende, visto o histórico da Academia, se levar o prêmio máximo da noite de Melhor Filme.

Lucas Alves
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