Posted on: 19 de janeiro de 2014 Posted by: Fernanda Correia Comments: 0

Os roteiristas de Sherlock tem enfrentado um grupo pior que os críticos (que adoram a série): os fãs que dissecam cada segundo do episódio.

O terceiro ano de Sherlock assustou os fãs mais hardcore da série. Os mistérios, as investigações e as capacidades dedutivas do detetive ainda estão lá, mas a vida pessoal (tanto de Sherlock quanto de Watson) se tornou quase que um personagem à parte.

Algumas coisas devem ser levadas em conta nesta “nova fase” da série. Primeiro que passaram-se dois anos desde o fim da segunda temporada. Nesse meio tempo, os seis episódios foram liberados no Netflix (e o serviço aumentou o número de usuários exponencialmente), o boca a boca sobre a série foi muito forte, os fãs tiveram tempo para mergulhar e se aprofundar nas histórias (e teorias malucas – Oh, olá Tumblr você por aqui!), e eu ainda colocaria o fator Breaking Bad, que tornou o público mais exigente.

Então, Moffat e Gattis tiveram que se preocupar em manter esse pessoal que assistiu a série nesse intervalo de dois anos, e muitas dessas pessoas conhecem Sherlock apenas de ouvir falar e do filme do Robert Downey Jr (¯_(ツ)_/¯). Então galera, take it easy. A série continua ótima, Cumberbatch continua merecendo a coroa de rei dos nerds, mas toda série precisa de novos ares para não virar mais do mesmo (é tanto exemplo que isso merece um post).

sherlock
Bloody hell!

 

Então vamos para os dois últimos episódios. SPOILERS, BITCH!

Começamos o segundo episódio com um dia normal na vida do Lestrange, quando ele tem mais um caso (e glória pessoal) destruídos porque Sherlock entrou em contato com ele. Mas dessa vez ele só quer ajuda para escrever o discurso de casamento do Watson, já que ele não tem o menor trato social (e só tem as melhores comparações ao casamento).

Nesse momento vemos que Sherlock não aceitou Mary tão facilmente, apesar dos dois se darem muito bem (e ponto para a química dos atores que não perde o timing). Ele investigou (e ameaçou) os ex da mulher do melhor amigo.

Então o casamento e o discurso. O que tem tudo para ser chatíssimo fica incrível porque Sherlock costura todo seu discurso com os casos que ele resolveu junto com o Watson (muitas vezes deixando os convidados curiosos para saber como ele finalmente resolveu o mistério, ou até dando palpites).

A despedida de solteiro (contada no discurso porque obviamente envolveu um caso) é uma das cenas mais hilárias da série. E também uma das mais bacanas para mostrar a relação dos dois.

 

Claro que todos os casos estão relacionados e Sherlock resolve o mistério em meio ao brinde, percebendo que o assassino é o mesmo e está presente para matar um dos convidados.

Por fim, os três aparentemente formam um trio (ou um quarteto porque Sherlock descobre que Mary está grávida) resolvendo o assassinato juntos. E claro, a dama de honra que, forçada a interagir com Sherlock, acaba atiçando a curiosidade dele.

Para encerrar a temporada, Watson aparentemente está meio entediado com sua vida de casado e agarra a primeira oportunidade: resgatar o filho da vizinha de um grupo de viciados. Ele acaba saindo de lá com o garoto, um viciado extremamente inteligente e Sherlock, que estava sumido por meses. Aqui é interessante lembrar que, nos livros, o detetive utilizava drogas para expandir a mente e aumentar suas habilidades de dedução.

O que aparentemente é um caso besta de obsessão do Sherlock, o dono do jornal que tem informações sobre tudo e sobre todos, mostra-se apenas um apoio para que Mary seja desmascarada. Ela tem um passado sombrio, que escondeu muito bem. Sherlock só descobre porque a encontra prestes a assassinar o dono do jornal que tem tudo sobre ela (e ela acaba atirando em Sherlock).

moriaty
E a internet explode!

E essa é a deixa para conhecermos Sherlock. A ideia de a vida toda passar pelos olhos de quem está morrendo é transformada no palácio mental do detetive, que usa as pessoas que importam pra ele, e as memórias do passado, para garantir que viva. Sua cena com Moriaty, aqui como uma parte obscura da própria mente do Sherlock, é maravilhosa.

O episódio todo é uma constante reviravolta, fazendo com que você não saiba mais no que acreditar. Sherlock namorando, Sherlock pedindo a namorada em casamento, Sherlock mostrando que realmente não sabe lidar com sentimentos, Mary ameaçando Sherlock, Sherlock desmascarando Mary, Watson sem falar com ela, Watson perdoando… (ufa, e ficou muita coisa de fora).

Nesse season finale, a relação dos dois amigos que foi bem explorada nos dois outros episódios acaba se solidificando, e você observa que Watson também é dependente de Sherlock. Ainda assim, Mary é um elemento novo e que veio para ficar, já que não sabemos exatamente o que ela esconde e os dois vão ter uma menina.

O que deixa a impressão de que toda a história (e mais ainda o último episódio) foi só uma preparação para a cena final. Tão no final que é quase um extra, já que até a música tema sobe até ser interrompida por TVs fora do ar e uma silhueta com uma voz bastante conhecida. Moriaty perguntando quem sentiu falta dele.

Parece que mais mortos irão voltar na quarta temporada. Que poderia muito bem estrear amanhã.

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